
Pela escola da vida e com os pés bem assentes na terra. Não se sentem dúvidas na música de Sentinela (PSA) e "Manual de Cerimónias" (Ed. Autor, 2011) é bem a expressão de todas essas certezas. E as certezas seguem claramente numa ideia de respeito pela old school e pela própria história do próprio hip-hop. Tal não impede e isso é importante, que o rapper da Póvoa de Santo Adrião (Odivelas) se deixe também levar pelos instrumentais melodiosos e cheios de soul; pelos beats que nos embalam e acertam em cheio. A isto tudo não será certamente [...]

A guitarra, sempre a guitarra; eléctrica É assim o mais recente registo de Alexandre Cthulhu. Chama-se "Fides" Sem nunca perder de vista nomes de sempre como Satriani, Steve Vai, Van Halen ou Mick Taylor, "Fides" é o disco da afirmação de Alexandre Cthulhu. É pura técnica. Superiormente dominador do instrumento, Alexandre Cthulhu segue claramente alinhado com uma corrente mais clássica de rock instrumental. Em "Fides", é notória a feliz convivência de uma sonoridade mais rock com uma outra bem mais blues. O acompanhamento existe mas é a guitarra que faz todas as despesas da casa, num eterno desfilar de lágrimas [...]

Inesperadamente...Party People In A Can! O que importa, mesmo, é que os Party People In A Can estão de regresso aos discos, seis anos depois do surpreendente "Way off, where the Spirits are" (2006) - disponível para download legal via You Are Not Stealing Records. Aliás, sobre este disse na altura: "É e é bom. Rock de um fulgor bem alternativo, não fugindo a uma vontade experimental – principalmente nos instrumentais – tem na voz rouca, dramática, pesada e falada, um dos seus maiores mistérios " ( 1 ). Pois bem, o mistério mantém-se, aliás, adensa-se, [...]

Com influências, segundo os próprios, que vão de Kraftwerk a Gary Numan, passando por Soft Cell e Jean Michel Jarre, Dusk at the Mansion é um projecto lisboeta claramente marcado e em particular, pela electrónica dos anos 80; não só mas principalmente. O grupo é hoje formado por David Costa (bateria), Leihla Pinho (violoncelo) e Ricardo Mestre (voz, teclado e laptop) e acaba de editar o seu EP de estreia. O disco chama-se "Will You Wake Up Today?", é composto por quatro músicas gravadas entre 2011 e 2012 e é, naturalmente, um registo repleto das mais variadas tonalidades [...]

"Diabolical Disguise of Madness" marca uma posição. Não sendo um disco perfeito, porque indubitavelmente não o é, "Diabolical Disguise of Madness" introduz-nos claramente e com frontalidade à energia diabólica dos Confront Hate. Sem serem particularmente inovadores, porque não o são, há ainda assim no thrash moderno dos Confront Hate um linha de orientação que os encaminha sem dúvida numa direcção ascendente. E não é só pelo que já fizeram em "Diabolical Disguise of Madness", mas principalmente pelo que se prevê poderem vir a fazer. E o que fizeram, para já, fizeram-no com uma enorme intensidade. O que [...]
![[Before The Rain] – “Frail”](http://cdn.elbo.ws/posts/3920119_lg.jpg)
Intensamente negro, intensamente belo; outra vez ... Tento ainda reencontrar-me, depois das repetidas audições de "Frail", o novo álbum dos [Before The Rain]. Quatro anos passados sobre “…One Day Less” (Major Label Industries, 2007) e depois de várias alterações no seu line-up , os [Before The Rain] voltam a surpreender. Sempre negros e continuamentos belos, os novos temas dos [Before The Rain] são ainda mais brilhantes, tal a minúcia depositada na sua composição. São seis os momentos de um doom absolutamente arrebatador; momentos de um intenso e violento dramatismo. Um dramatismo vincado pela complexidade da estrutura [...]

We Are Killing Ourselves , furiosamente... Em 2007, parecia claro que com " Deconstructive Essence " (Recital) a fasquia tinha sido, desde logo, colocada a uma altura bastante respeitável, perigosa até, principalmente quando se pensava num eventual novo disco. Acontece que o segundo álbum de originais está mesmo aí. O disco chama-se "The Road Of Awareness" e mantém indubitavelmente acesa a chama do anterior; mas com uma maior pujança. Com uma produção genericamente perfeita, "The Road Of Awareness" é como um barril de pólvora, mas em explosão contínua. Violenta. A voz de Nuno Rodrigues continua brutal e as guitarras continuam [...]

São Os Velhos modernos. Sem tempo para grandes reflexões, sobre géneros ou estilos, em "Velhos" impera a verdade e o desejo. Simples e francos na forma como encaram a música, sedentos de rock na sua exteriorização. São os Velhos, projecto de Francisco Xavier (vocalista e guitarrista), Zé Preguiça (guitarrista), Pedro Lucas (baterista) e Sebastião (baixista). Depois, vêm as canções que se expressam sobre a regularidade dos dias, das relações, como que aparentemente perdidas na sua consciente normalidade. Por outro lado, é a expressão e a mensagem que sobressaem face à técnica, particularmente de um vocalista mais interessado em contar histórias e [...]

Como um monumento rock, em toda a sua universalidade; atmosférico; melancólico; melódico. É uma boa surpresa. "Pact With Solitude" é o álbum de estreia do misterioso utopian.hope.dystopian.nihilis m, projecto pessoal de Élvio Rodrigues, um multi-instrumentista madeirense, também parte dos Through Darkness . Voltemos à universalidade. Esta é uma universalidade caracterizada pela extraordinária abrangência estética de "Pact With Solitude". A mesma universalidade que às vezes o torna um disco estranhamente desconcertante, tal a forma como vai mudando de registo, faixa após faixa; com maior ou menor velocidade, muitas vezes bem extremo. Pelos campos do death, black metal ou [...]

Boa surpresa. Dois anos passados sobre o homónimo EP de estreia e os lisboetas Trêsporcento presentearam-nos com um álbum que é uma boa surpresa; aliás, é um pouco mais do que isso. São nove faixas de um pop-rock moderno, seguro e cantado num português que felizmente se afirma distante de ideias fáceis. Musicalmente cativante, sem ser singular, quase perfeito na voz de Tiago Esteves, "Hora Extraordinária" foge sempre que pode - e bem - por caminhos mais indie , mais alternativos. É um disco cheio de coisas interessantes para conhecer. É de arriscar; claramente. Quarteto formado [...]

Uma viagem com viagens dentro; lá longe... Imaginando; parecem histórias contadas por uma personagem principal que encostada ao balcão, de copo na mão, vai lançando frases para o ar, para a frente, em direcção a um barman que apenas parece fingir ouvir. Lá longe, por terras do tio Sam, volto a imaginar Mr. Wolf - também conhecido por Carlos Gonçalves Pereira (Corpo Diplomático; Casino Twist; The Raindogs). Imagino-o envolvido em aventuras feitas de paisagens sonoras diferenciadas; sempre envolventes; sempre marcadas por uma forte carga emocional. São aventuras profundamente partilhadas com Miro do Carmos (baixo e voz), o [...]

Filipe da Graça emana rock por muitos poros; um rock do tipo pop de bateria, baixo e guitarra. Daquele pop-rock solto e cheio de riffs que não se esquecerão. Mesmo que embalado por uma voz descontraída e até desajeitada. Mesmo assim. Foi esse o desejo de Filipe Fernandes, o Filipe da Graça (bateria, guitarra e voz); dele e do mano C de Croché, responsável neste disco pelo baixo e pelos coros. Com alguma ingenuidade mas muita alegria, a música deste algarvio deixa-nos assim; disponíveis e com vontade de viver, saboreando toda a simplicidade do [...]

Primeiro "Azrael" (Recital Records, 2007), depois "Vortex" (Recital Records, 2009) e agora "Bloodline"; são três passos de um caminho feito com segurança. Ao terceiro álbum, o grupo de Shore (voz e guitarra), Jay (baixo), Loki (guitarra) e Zeus (bateria), confirma uma posição importante no actual panorama do death-metal luso. São 10 temas de uma violência implacável, com uma produção muito interessante, realizada no UltrasoundStudios por Pedro Mendes. Com uma secção rítmica empenhadíssima e umas guitarras a oferecerem-nos sempre o riff certo, "Bloodline" e desilusão não coincidem. Não é um disco com grandes singularidades; há sempre aquela [...]

Os The Quest são um projecto algarvio, nascido em 2006, em Lagos. De lá para cá, o grupo evoluiu bastante e em 2010, ofereceu-nos este "Decision & Consequence". É um conjunto de 13 temas marcado por um largo espectro de influências. Com uma envolvência sonora geralmente pop , já na sua especificidade, o grupo vai viajando com relativa facilidade por estruturas rock, disco , electrónica, reggae , ska e até funk . Na essência, sobra a certeza de um disco pop-rock , servido por arranjos equilibrados e bem adocicados por uma voz [...]

Nem era necessário. Mas se tal fosse, "The End" posiciona, em definitivo, os Devil In Me no top da cena hardcore nacional; e posiciona-os bem lá no alto. Na verdade, não é nada que os anteriores " Born To Lose " (Sons Urbanos Recs, 2006) e " Brothers In Arms " (Sons Urbanos Recs, 2007) não deixassem antever. O tempo, a experiência adquirida e uma produção imaculada - de Andrew Neufeld (Comeback Kid; Sights & Sounds), fizeram do conceptual, ambicioso e arriscado "The End", uma peça de extraordinário fulgor. Sempre a mil à hora e com [...]

Este é um disco diferente; até curioso. Podemos olhar para "Os Subitchitchilos Acordam o ABS" como uma espécie de banda sonora original para o Acampamento de Jovens de 2010, no Acampamento Bíblico do Sor (Farinha Branca - Montargil). Uma banda sonora pensada não só para acordar mas para ditar algumas regras de funcionamento do já referido acampamento. Se é verdade que o enquadramento extremamente religioso das letras pode afastar os mais descrentes, já o gosto pelo rock pode juntar à volta d'Os Subitchitchilos um outro meio mundo. Desengane-se quem espera encontrar um disco acústico, iluminado pelo fogo das fogueiras de [...]

Com os anos, a vida deste homem bala tem seguido uma direcção cada vez mais pop; cada vez menos alternativa. Ao quarto álbum, Armando Teixeira traça de vez a direcção do seu projecto Balla. Á pop mais alternativa de “Balla" (NorteSul, 2000) e “Le Jeu" (Mob Music, 2003), Armando Teixeira tem respondido nos últimos anos com discos mais pop , discos vergados pelo enorme poder da electrónica; poder que Armando Teixeira exerce com mestria. Foi assim com "A Grande Mentira” (Chiado Records, 2006) e é assim, ainda mais, com o último "Equilíbrio" (Vidisco, Chiado [...]

Na verdade, são várias as cores das canções de amor do último disco de Jorge Rivotti. São canções de amor mas são também recordações, são histórias sentidas de um passado mais ou menos recente. São caminhos feitos; histórias de amor que nos são apresentadas com um intimismo recorrente. Que nos são oferecidas com a simplicidade que Jorge Rivotti parece ter procurado, continuamente. E se bem procurou, melhor encontrou. São 14 canções e um instrumental, mensagens de amor que Jorge Rivotti envia ao céu, como que recordando tempos e espaços passados, centrando tudo, quase tudo, numa voz, nas palavras - em [...]

Com Nuno Prata tudo parece aquilo que realmente é. As palavras são claras e surgem-nos lúcidas, como imagens de uma realidade palpável. Uma lucidez feita originalidade quando é igualmente transportada para a música. Essa, é uma mistura cativante, singular, de posições mais pop , mais rock , às vezes mais folk . Não existem amarras que impeçam sequer o músico de experimentar novas combinações sonoras; pequenas mas ousadas experiências - importante a produção de Hélder Gonçalves (Clã). "Deve Haver" é o prolongamento natural de "Todos os Dias Fossem Estes/Outros" (Turbina, 2006), um início cheio de esperança que em [...]

Porque só ao ritmo do rock'n roll tudo isto faz sentido; mesmo... Por entre espíritos e fantasmas, há no lado de lá do Tejo um maestro a violentar uma orquestra quase inteira. Com algum jeitinho. Há um corpo no lado de cá com o coração e o espírito a ferver intensamente no lado de lá. Fechamos os olhos e é como se tivéssemos entrado numa qualquer máquina do tempo. Uma máquina assustadoramente real. Com um oceano pelo meio, Nick Nicotine ofereceu-nos em 2010 um álbum que é uma pequena jóia - e em [...]